Edison Glienke

Textos, Reflexões e Desabafos

0 notas

Oração de um arreligioso

Senhor, Criador, Amado Pai e Salvador!

Eis-me diante de ti, absolutamente desnudo.  Tu me conheces melhor que eu mesmo.  Sabes o quanto anseio pelo conhecimento da verdade que liberta.  Tu sabes com que paixão me aprofundei em Lutero e nas Confissões Luteranas.  Por que me tornei tão crítico?  Por meu pecado e dureza?  Afastaste de mim a sabedoria?  Por que não mais encontro paz e consolo nestas doutrinas e estruturas?  Por que me compraz a liberdade que tenho contigo, de te invocar e te louvar tão individualmente?  Por que me consolas, me alegras e me dás a paz e a esperança, que tanto busquei em tua igreja visível, mas somente agora, que dela me afastei, recebi ?  Por que agora, mais que em qualquer época da vida, tu me fazes sentir membro da tua igreja universal?  Ou será isto artifício do inimigo, no intuito de me afastar de ti e da verdade? Ou afastaste de mim a tua graça, devido ao meu pecado?  Pois tu conheces o meu íntimo e todos os meus pecados ocultos.  Estarias condenando-me à eterna ignorância pelo sofrimento que tenho causado a tantas pessoas que me deste para conviver neste mundo?

Ler mais …

0 notas

CUR DEUS HOMO?

Desde a baixa Idade Média, Santo Anselmo dedicou-se a explicar de modo racional a doutrina da justificação.  Em seu clássico Cur Deus Homo? . explica de modo inquestionável, baseado em princípios racionais, o motivo por que Cristo, sendo Deus, assumiu a forma de Homem, para ser causa  da nossa salvação.  Esta explicação jurídico-forense da expiação, que nos liberta da condenação mediante o pagamento efetuado por Cristo, passou a dominar a teologia e a doutrina da justificação.

Ler mais …

0 notas

A lei visa Cristo e não Obras

O objetivo da Lei, na Bíblia, não é a obra.  A Lei foi dada para conduzir o homem a Cristo, ao Evangelho.  Assim diz explicitamente o apóstolo: “o fim da lei é Cristo.”(Rm 10.4) .  A lei existe por causa da fé, o propósito último de toda escritura.  “É o caso de Abraão, que creu em deus, e isso lhe foi imputado para justiça”(Gl 3.6).  Afinal, “sem fé é impossível agradar a Deus”(Hb 11.6), enquanto “a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma “(Hb 7.19).

Ler mais …

0 notas

Comunhão versus Igreja

Talvez nenhum tema prático na organização de uma comunidade cristã seja tão essencial para a compreensão da teologia oculta nas pregações que o tema da comunhão.  Foi isto que me abriu os olhos para as heresias propaladas dentro da igreja luterana, e que manifestam de modo claro e inequívoco a distância que se vai da teologia de Lutero nos dias de hoje.  Não é mérito meu tal constatação, mas de um teólogo enforcado ao 39 anos de idade, por decidir viver de acordo com sua consciência: Dietrich Bonhoeffer.

 

Por detrás da teologia da graça, revigorada por Lutero na Idade Média, a igreja luterana hoje passou a pregar aquilo que Bonhoeffer designou de “graça barata”[1], que nada mais é que a negação total do Evangelho. Tal conceito/doutrina torna a igreja uma comunidade desnecessária à vida.  A pregação deixa de ser essencial e a reunião dos cristãos passa a ser uma obrigação induzida pelos líderes com toda sorte de artimanhas, métodos, chantagens ou perversões bíblicas – apenas com intuito de manter e fazer crescer igrejas.  O resultado, como pode-se observar hoje na Alemanha, França, Holanda e outros países com forte tradição Evangélica, é que as famosas igrejas transformaram-se em casas de show de músicos, tenores, orquestras, quando não se transformaram em restaurantes, bibliotecas ou museus.

 



[1]Graça barata é graça como refugo, perdão malbaratado, consolo malbaratado, sacramento malbaratado; é graça como inesgotável tesouro da igreja, distribuído diariamente com mãos levianas, sem pensar e sem limites; a graça sem preço, sem custo.  Graça barata significa graça como doutrina, como princípio, como sistema; significa perdão dos pecados como verdade geral(…) Graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus encarnadoDiscipulado, 8a edição. 2004, p.9s.

0 notas

LOUVOR NO CULTO

Gostaria de saber donde surgiu esta idéia de “Louvor” nos cultos.  Até mesmo em igrejas tradicionais, substituiu-se a liturgia tradicional, que incluía confissão dos pecados, declaração pública da fé e leituras bíblicas pelo chamado “Louvor”, onde um grupo de jovens, acompanhados de guitarra, baixo, bateria, teclado, violão, etc…, num volume ensurdecedor, “louvam” a Deus, enquanto a comunidade, sem ouvir a própria voz,  cantando, satisfaz-se batendo palmas, dançando ou gritando palavras de ordem: “gloria a Deus”, “louvado seja Deus”. “Aleluia”… . 

Ler mais …

1 nota

“Quero casa, eu quero um lar!”

Hoje pão não me pediram,

Mas pior foi a aflição.

A negrinha bonitinha,

Que de logo me encantou,

Suzilene, sorridente,

Veio alegre ao meu encontro,

Roupa limpa, e, no cabelo,

A xuxinha que lhe dei,

Calça verde a combinar.

Banguelinha, pés-no-chão.

Não se pôde contentar

Vem de pronto anunciar:

“Tô bonita prá você,

Tenho algo a lhe dizê,

A vergonha não me deixa,

No entanto, confessar!”.

Ler mais …

1 nota

Quando morreu o toco, para viver o edison[1]

Toco, toquinho, menino levado, atrevido, faceiro, animado, esperto, sapeca, arteiro, falador, brincalhão, malandro, quase desobediente. A vida é pequena para tanta vida, sonhos, esperanças, emoções. Amigos, coelhos, carrinhos, árvores, brinquedos e rios povoam os sentimentos e experiências galopantes deste frágil coração. Não fosse frágil, e viveria ainda. A força do pequeno índio com seu arco e flechas foi pouca. As rápidas idéias e descobertas infindas de nada lhe serviram. Os sonhos megalomaníacos foram pequenos para manter vivos os ideais de uma criatura tão sensível às sutis investidas de um mundo falso que sorri na dor e esconde a própria fragmentação em fortificadas estruturas de desumanização.

Ler mais …

0 notas

A Dor da Vida

- Ai, que dor, doutor! Ajuda-me! Não posso mais suportar tamanho sofrimento.

- O que te incomoda, amigo? Onde te dói?

- Dói a vida, dói a alma, dói tudo. A consciência não me permite a paz que busco a todo custo. Dói-me ver tantas injustiças, perversões de direito. Dói-me ver tanta riqueza acumulada nas mãos de alguns que, sorrindo, oprimem aqueles dos quais chupam o sangue. Dói-me viver neste mundo fazendo-me parte de um sistema materialista que, esquecendo-se do valor da vida usa o ser humano e toda criação para tirar-lhe proveito próprio. Egoísmo, ganância, insensibilidade alimentam um mecanismo de produção contínua de riquezas, consumo, luxo, supérfluos infindos – maldita produção. Dói-me ver-me envolvido e absorvido por tal perversão, fazendo-me escravo deste mundo, ao qual vivo a servir. Dói-me viver. Este é o meu mal.

Ler mais …