Comunhão versus Igreja
Talvez nenhum tema prático na organização de uma comunidade cristã seja tão essencial para a compreensão da teologia oculta nas pregações que o tema da comunhão. Foi isto que me abriu os olhos para as heresias propaladas dentro da igreja luterana, e que manifestam de modo claro e inequívoco a distância que se vai da teologia de Lutero nos dias de hoje. Não é mérito meu tal constatação, mas de um teólogo enforcado ao 39 anos de idade, por decidir viver de acordo com sua consciência: Dietrich Bonhoeffer.
Por detrás da teologia da graça, revigorada por Lutero na Idade Média, a igreja luterana hoje passou a pregar aquilo que Bonhoeffer designou de “graça barata”[1], que nada mais é que a negação total do Evangelho. Tal conceito/doutrina torna a igreja uma comunidade desnecessária à vida. A pregação deixa de ser essencial e a reunião dos cristãos passa a ser uma obrigação induzida pelos líderes com toda sorte de artimanhas, métodos, chantagens ou perversões bíblicas – apenas com intuito de manter e fazer crescer igrejas. O resultado, como pode-se observar hoje na Alemanha, França, Holanda e outros países com forte tradição Evangélica, é que as famosas igrejas transformaram-se em casas de show de músicos, tenores, orquestras, quando não se transformaram em restaurantes, bibliotecas ou museus.
[1] “Graça barata é graça como refugo, perdão malbaratado, consolo malbaratado, sacramento malbaratado; é graça como inesgotável tesouro da igreja, distribuído diariamente com mãos levianas, sem pensar e sem limites; a graça sem preço, sem custo. Graça barata significa graça como doutrina, como princípio, como sistema; significa perdão dos pecados como verdade geral(…) Graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus encarnado” Discipulado, 8a edição. 2004, p.9s.